Hoje sei que terminou uma etapa. Faz já algum tempo que sabia que este dia acabaria por chegar e que a despedida (para sempre) iria chegar. Mas por mais mentalização dos factos que a minha cabeça tenha processado durante este tempo de espera, há uma réstia de inconformidade com os rumos divergentes que iremos tomar. Eu sei que vais atrás dos teus sonhos, eu sei que estarás melhor lá, eu sei que é (talvez) o que fazes de mais certo. Mas enquanto vais perseguir o teu sonho, deixarás o 'nós' que tanto trabalho deu a construir, aniquilarás o nosso sonho comummente construído.
E a despedida não sucedeu de todo. Foi tão repentina a tua ida que eu nem tive tempo para assimilar que a partir de agora não mais te tenho aqui. E ficou tanto por dizer, tanto por ouvir, tanto para pensar, tanto por sentir.
Comigo deixas a saudade daquilo que passamos, contigo levas o carinho que sempre terei por ti. Não lhe poderei chamar amor, talvez não tenhamos tido tempo e disponibilidade para construir tanto assim, nem queríamos tal. Mas foste ficando e pertencendo à minha vida, e eu à tua, e não fomos precisando de rótulos. E foi tudo tão simples e tão complexo, simultaneamente. E podia ter sido melhor, mais completo, é verdade, mas não foi. E eu não me importo que não tenha sido ainda melhor do que foi, porque a felicidade que me deste bastou para preencher o buraco que há muito eu trazia na minha bagagem de sentimentos.
Não foste perfeito, nunca desejei que o fosses, aprendi a conviver com os teus defeitos, que no fundo são iguaizinhos aos meus. A mesma teimosia, o mesmo orgulho, a mesma ousadia, a mesma frontalidade, o mesmo egoísmo. Só não soube conviver e aceitar um dos teus piores defeitos: a imaturidade. No fundo, eu diria que terás sempre essa criança dentro de ti. Se calhar isso dá-te ainda mais brilho, se calhar não.
Deste mais de ti a mim do que eu a ti. E eu dei mais sentimento a ti do que tu a mim. Pelo menos eu vejo isso assim. Talvez, não sei bem.
Gostei de cada momento que passei contigo, gostei das conversas de todos os dias, gostei de todas as vezes que me fizeste sentir bem. Gostei de cada vez que cantaste e tocaste para mim. Sou apaixonada pela tua musicalidade, por quando tocas guitarra e piano e cantas tão bem como sabes. Sou apaixonada por muita coisa em ti, mas a tua música encanta-me mais do que tudo.
Engraçado como logo na primeira vez que nos vimos sentimos a química que pairava entre nós. A partir daí foi inexplicavelmente difícil de nos largarmos, era inevitável.
Partes para longe e deixas saudades, levando um pouco de mim e deixando um pouco de ti.
Sempre que quiseres voltar, estarei para te acolher. De mim terás sempre todo o carinho que cativaste.
AGW, foste e és importante. Continuarás a sê-lo, com certeza.
Post Scriptum: por ser tão orgulhosa, nunca fui capaz de te dizer, mas não deixo passar de hoje: Adoro-te :)
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quinta-feira, 17 de junho de 2010
sábado, 5 de junho de 2010
Eu trago um buraco no futuro
sexta-feira, 7 de maio de 2010
A minha cabeça vai atrofiar
Porque não sei se verdadeiramente
te quero junto a mim ou se,
pelo contrário,
te quero deixar
e esquecer que pertences já
tão fortemente à minha vida.
Como hei-de eu decidir?
quinta-feira, 29 de abril de 2010
(En)canta-me outra vez
Gosto quando me cantas a "Chasing Cars" dos Snow Patrol.
"All that I am,
All that I ever was
Is here in your perfect eyes,
they're all I can see.
(...)
If I lay here,
If I just lay here,
Would you lay with me
and just forget the world?".
"All that I am,
All that I ever was
Is here in your perfect eyes,
they're all I can see.
(...)
If I lay here,
If I just lay here,
Would you lay with me
and just forget the world?".
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quarta-feira, 7 de abril de 2010
Entrelaçamos as mãos
Estava uma noite bastante fria. Saímos do seio do grupo de amigos para nos encaminharmos para casa, depois de algumas minis consumidas e alguma dança naquele que era o nosso bar. Já a cidade adormecera há muitas horas atrás. Para minha surpresa, agarraste-me a mão e entrelaçaste os teus dedos nos meus. Corria um vento agreste como eu já não lembrava igual e eu estava a sentir frio, muito frio. Apercebeste-te disso e abraçaste-me fortemente, protegeste-me da aragem gélida que corria. Senti tanto calor humano oriundo de ti. Chegámos a casa, custou-me largar o abraço, mas sabia que iria ter muito mais. Dás-me muito mais, sempre que te tenho nos meus braços, numa retribuição afectiva que encobre todo o espaço de tempo que passo sem ti. São esses pedaços de noite que quero repetir contigo. Dar as mãos. Abraçar-te. Sentir-te junto a mim. Porque até o simples facto de darmos as mãos é especial e único. Já tenho saudades; quando volto a sentir a tua mão entrelaçada na minha?Eu sei, estou a ficar sentimentalista. Mas a culpa é tua.
quinta-feira, 1 de abril de 2010
Vamos simplificar
Juro que gostava de compreender todas as nuances que cobrem esse teu espírito indomável. Às vezes é difícil aceitar os comportamentos imaturos que apresentas, mas talvez seja isso mesmo que, de certo modo, te define: essa imaturidade própria da tua tenra idade. A vida ainda não te ensinou lições suficientes nem te fez lutar por nada importante, ainda não precisaste calejar as tuas franzinas mãos com esforço para alcançar algo que desejasses fortemente. E como não estás habituado a lutar, não o fazes por aquilo que deverias fazer, agora. Também és teimoso, és demasiado teimoso e eu detesto essa mania de que sabes tudo, melhor e mais do que todos os que te rodeiam, e tenhas que levar as coisas da tua maneira, sem acatar opiniões de outrem. Detesto igualmente essa tua mania de tentares fazer com que pareça que eu sou bastante insignificante, ainda que deixes entrever que significo até demais. Eu reclamo de ti, de tudo o que fazes, de tudo o que dizes, mas no fundo gosto dessa tua maneira de ser: rebelde e despreocupada, caprichosa e agreste. Por vezes eu sou igual a ti, sabes? E talvez seja isso que me encanta em ti: esta nossa similitude desmedida, este medir de forças constante que se abate sobre nós e prolifera cada vez mais, numa necessidade constante de comprovar que não somos assim tão importantes um para o outro, quando na realidade acontece exactamente o oposto, quando passar algum tempo sem termos contacto é detestável para ambas as partes. Durante muito tempo, eu defini para mim própria que tão cedo não me queria prender emocionalmente a ninguém e acreditei que era capaz de fechar a minha vida aos sentimentos de índole amorosa. Mas começo a perceber que cada vez mais está a ser difícil fechar essa porta e que já não posso negar que estou mais ligada do que desejaria a ti. E sei que neste momento sucede a mesma complicação emocional na tua cabeça.Agora desejo que simplifiquemos as coisas, rapidamente.
sexta-feira, 26 de março de 2010
Ensinavas-me a tua arte

Eram tardes e noites pelas quais eu sempre esperava ansiosamente. Chegavas, davas-me um pouco do teu afecto e depois tornavas-te o meu mestre. Eu aprendia a dedilhar a guitarra com carinho, tal como ensinavas. Sentavas-me no teu colo, enlaçavas-me e tocávamos melodias juntos. Eu era a tua aprendiz e vibrava interiormente com cada nota musical que produzias. Tocavas-me directamente ao coração e cantavas para mim aquecendo a minha alma. E eu ficava embevecida a ver-te tocar guitarra. E de novo me tentavas ensinar a tua arte, de novo me enlaçavas em ti, de novo me cantavas ao ouvido. Olhavas-me nos olhos com intensidade e nesse olhar pedinchavas por afecto. Eu correspondia ao teu pedido e pedias mais um beijo, e outro, e mais outros e continuávamos o nosso jogo de afecto. Queria-te tanto. Enlaçavas-me ainda mais e regressávamos às nossas lições de guitarra, e eu era uma mulher feliz. Era. Não me bastou ser feliz. Agora sinto falta das nossas lições, meu querido.
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quinta-feira, 29 de outubro de 2009
Sempre
Descobri que nem os novos ambientes, nem a tua ausência física e visual, nem os amores de uma só noite me fazem deixar-te para trás, nada me faz esquecer-te de uma vez por todas. Já estás muito menos, já me lembro poucas vezes de ti, já não pulsa aquela sensação de que és tudo para mim, mas mesmo assim cada vez que retornas à minha mente, retornas em grande força. Destróis sempre todas as certezas que tenho, alimentas a saudade. Não há nada que me faça esquecer-te por completo, julgo que nunca ficarás definitivamente no passado. E isso é absolutamente estúpido.
sábado, 12 de setembro de 2009
Que tudo mudasse
A verdade é que as coisas nunca voltarão a ser o que eram. Por vezes, fazes-me falta. Outras vezes, és indiferente. Na realidade, em certos momentos, deixo de estar certa de ter já aprendido a viver sem ti. É esta dualidade que me afecta todos os dias, este sentimento ambíguo que ainda nutro por ti. Mas acredito que já falta muito pouco mesmo para seguir o meu caminho completamente sozinha, sem a tua sombra atrás.
terça-feira, 8 de setembro de 2009
Conversas
(…)
– Às vezes a vida desilude-nos.
– Muito mesmo. Mas distinguem-se aqueles que não se abatem com isso. Eu tenciono sempre fazer parte desses “valentes”.
– E há aqueles que desiludem os outros :S
– Também. Mas esses deixamo-los para trás, se não valerem a pena.
– Exacto. Mas tudo vai passando.
– O tempo é a melhor cura para tudo. Juntamente com uma grande dose de sanidade mental.
– Lá está. Mas ficam sempre cicatrizes. Até para os que desiludem.
– As cicatrizes são como as feridas: fecham, saram.
– Mas marcam. E algumas ficam para sempre.
– Pois ficam, mas há que fazer delas aprendizagens, dar-lhes um bom uso.
– Nem mais.
– Posso dizer que sou uma aprendiza nata e valente.
– Eu tento ser. Ainda ando a aprender.
– E tens muito caminho pela frente, muito para aprender. Mas é bom saber que já encontraste a direcção.
(…)
– Às vezes a vida desilude-nos.
– Muito mesmo. Mas distinguem-se aqueles que não se abatem com isso. Eu tenciono sempre fazer parte desses “valentes”.
– E há aqueles que desiludem os outros :S
– Também. Mas esses deixamo-los para trás, se não valerem a pena.
– Exacto. Mas tudo vai passando.
– O tempo é a melhor cura para tudo. Juntamente com uma grande dose de sanidade mental.
– Lá está. Mas ficam sempre cicatrizes. Até para os que desiludem.
– As cicatrizes são como as feridas: fecham, saram.
– Mas marcam. E algumas ficam para sempre.
– Pois ficam, mas há que fazer delas aprendizagens, dar-lhes um bom uso.
– Nem mais.
– Posso dizer que sou uma aprendiza nata e valente.
– Eu tento ser. Ainda ando a aprender.
– E tens muito caminho pela frente, muito para aprender. Mas é bom saber que já encontraste a direcção.
(…)
sábado, 5 de setembro de 2009
É bom saber
É bom saber que nem tudo mudou. É bom saber que te tornaste maduro. É bom saber que há laços que perduraram. É bom saber que estás consciente de tudo o que fizeste. É bom saber que, depois de tudo e acima de tudo, afinal (ainda) somos amigos.
Afinal de contas, para mim serás sempre o amigo .
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
Agora

Agora és tão importante como um simples conhecido. Obriguei-me a mim própria a passar-te para essa categoria, mas não te esqueças: tu passaste-me primeiro para igual categoria na tua vida. Lidar contigo, perceber-te, já foi para mim muito mais fácil do que agora é; de facto, posso dizer que já não te conheço, ou melhor, que já não és como te conheci. E tenho saudades da pessoa que eras. Notei quando te cansaste de tudo. Eu também estava cansada. E foi então que decidi que a servidão a ti iria acabar. Resolvi de uma vez por todas deixar de ser a gaja que te pertencia. Cansei de percorrer o caminho que me conduzia a ti, essa estrada que todos julgavam longa e que no entanto eu não me importava de percorrer. A campainha de tua casa ainda ressoa na minha cabeça e o som que a acompanha relembra-me quando me dizias para subir e me recebias calorosamente. Durante aquele período de tempo, tudo era perfeito, ou assim parecia ser. Não havia complicações e tu, assim como eu, gostávamos que assim fosse. Estava-se bem e pronto. Mas já perto do final, soube que não tínhamos futuro. Os últimos dois meses foram terríveis. A minha cabeça não tinha nada dentro, à excepção de ti. Era todo o tempo a pensar se era mesmo aquilo que eu queria, se valeria a pena continuar a ter-te numa completa vazão de sentimentos, se eu iria aguentar assim por muito mais tempo. Aqueles dois últimos meses foram surreais, nunca pensei vir a questionar tanto as coisas. E foi então que por imposição das coisas normais que a vida tem, tivemos que deixar de nos ver, isto precisamente na altura em que eu tencionava deixar-te. Foi doloroso, muito doloroso mesmo, porque apesar de todo o mal que me fazias, eu gostava demasiado de ti para te largar e não sentir dor por tal acontecimento. Tive que ir ao mais fundo de mim buscar forças que nem imaginava existirem, mas mesmo assim fui-me muito abaixo. Mas tudo fiz para não dar importância à nossa separação e seguir em frente. Foi um processo de habituação complicado e demorado, mas o que é certo é que hoje tenho a sensação de dever cumprido, sinto mesmo que já aceitei o que aconteceu. Compreender não, não compreendo, nem nunca hei-de compreender muitas das coisas que aconteceram, mas aceitei que tinha sido assim. Antigamente pensava que o tempo não era cura para nada, que as chamadas ‘borrachas temporais’ eram fruto de conselhos impossíveis de concretizar mas agora sei que o tempo tudo ajuda a curar, tudo ajuda a esquecer. O tempo faz com que deixemos o que era mais importante antes para segundo plano no agora. O tempo é um curioso mistério, porque tanto nos pode levar a deixar as coisas para trás como nos pode levar a reviver mentalmente tudo e fazer com que não nos esqueçamos o que queremos apenas e só esquecer. E de facto, nos meses posteriores à nossa separação eu tanto regredia por recordar e reavivar os nossos momentos, como prosseguia em frente, agarrando-me à vontade de te esquecer, à vontade de ultrapassar tudo. Ultrapassei, sinto que alcancei o meu objectivo de todos os dias, de todos os segundos destes últimos meses. Agora sou capaz de estar na tua companhia sem meter pelo meio os antigos (res)sentimentos, agora consigo estar bem na tua presença. Agora, queria que se abrisse espaço para de novo sermos bons amigos. Achas que pode ser?
sábado, 11 de julho de 2009
Faltas-me
Perguntaste:
- Hey, ‘tá tudo?
Apeteceu-me responder-te:
- Não, faltam-me pessoas.
(Para estar tudo e todos, faltas-me tu).
quarta-feira, 17 de junho de 2009
Seremos nada
Escrito em 03-01-2009
Não aceito que cheguemos a esta condição: a quase obrigação de dizer “Olá”, os olhares secos e sem expressão de nada, o evitar passar um pelo outro. Subitamente, tantas palavras doces, tantos sonhos alimentados, tantos momentos partilhados começam a transformar-se em meras memórias que habitam cada vez mais desgastadas nas nossas cabeças. Antes dizias que eu era muito, que tudo o que partilhávamos seria para sempre. Eu não acreditava que fosse para sempre, mas acreditava que na tua vida significava muito, e isso bastou-me para crer que os nossos sentimentos tinham bases sólidas, tinham espaço para crescer. E não é mais assim. Tudo desvairou, começamos um progressivo afastamento e nunca mais iremos voltar ao que fomos. Que é feito de tudo? Não nos restam muitas esperanças, não há forma de crer num futuro que certamente não será escrito em conjunto. Fomos muito, somos algo, seremos nada.
[E não é que naquela altura previ o futuro?]
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quarta-feira, 10 de junho de 2009
Voltaste (e eu não quero que voltes)
Tens sempre de voltar para me atormentar, não é? Afinal já faz parte de ti, não te cabe na cabeça que eu consiga ser feliz sem ti, que eu consiga ter uma vida normal apesar de não te ter. Mas eu consigo e isso faz-te confusão, então tiveste que voltar. Tiveste de remexer no passado que eu tinha fechado com pesada chave de estanho. Feita de tão frágil material, ontem partiu-se, ou melhor, tu quebraste-a e reviraste tudo o que encontraste. Puseste-me sem conseguir dormir, puseste-me a tentar de novo convencer-me de que te odeio. Andei todo este tempo a crer que nunca mais ia falar contigo, que não te responderia a nada, e no momento em que deveria ter aplicado esses pensamentos, fraquejei como sempre faço perante ti. Tomámos a já habitual conversa de circunstância que cada vez mais detesto. Sentiste-me fria contigo, e ainda bem. É necessário que percebas que já deixei de estar aqui para te dar afecto quando precisas. Ontem apeteceu-me tanto dizer-te tudo o que já há algum tempo precisas de ouvir, mas não fui capaz. Nunca sou. Agora quero convencer-me de que, se houver próxima, eu irei conseguir. Ou não. Mas agora deixa-me viver apenas por mim, de uma vez por todas.
sábado, 6 de junho de 2009
quarta-feira, 3 de junho de 2009
Não sei ser
Tudo me lembra de ti. Tudo mesmo. Porque é que não sou capaz de fazer a distinção entre o que ainda compõe a minha vida e o que já a compôs? Cada ínfimo detalhe, cada indeterminante pormenor, em cada coisa estás sempre. A minha cabeça é assaltada todo o tempo por flashbacks, revejo cada momento que passamos, cada conversa que tivemos, cada segredo que te contei. Imagino cada um dos momentos que podíamos ter vindo a ter. Eu já não sou nada senão um enorme conjunto de recordações e perguntas sem respostas, e assim não sei ser.
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domingo, 31 de maio de 2009
Noventa e quatro dias
Já se passaram noventa e quatro dias e no entanto parece que tudo já se passou há anos. Ainda assim, continuo a sentir a tua falta exactamente como sentia no primeiro dia, nada melhorou como disseram que ia melhorar e o sentimento de perda adensa-se a cada dia que passa. Perdemos muito em vários aspectos e não há retorno a dar. Só sei que preciso de ti. Por mais que procure sobrepor o sorriso à recordação que se esbate em mim, é demasiado irreal fingir que sou feliz sem ti por perto. A minha cabeça amotina cada pequeno detalhe e não chega a lugar nenhum. Juro-te, só precisava que continuasses a ser o melhor amigo '$
terça-feira, 19 de maio de 2009
Cartas
Eu não escrevo cartas, mas se calhar era-me mais fácil escrevê-las e enviar-tas ao invés de escrever e pensar coisas que nunca serei capaz de te dizer cara a cara. De facto, em vários aspectos consigo ter muito pouca audácia. Tenho vindo a ganhar bastante noção de que ficou muito por te dizer, e afinal de contas vai continuar por dizer. Eu queria que tudo tivesse terminado de forma diferente. Sempre te pedi muito pouco, estou farta de referir isto, as minhas palavras já se repetem sucessivas e sucessivas vezes. Mas é a verdade, eu pedi-te muito pouco, apesar de todo o amor que sempre nutri por ti, nunca te exigi o mesmo da tua parte. Nunca. Apenas te pedi, várias vezes, que a nossa amizade nunca terminasse, que fôssemos os melhores amigos, como aconteceu durante os nossos meses, sim, nossos. Sempre me afirmaste que esse sentimento de amizade iria permanecer para sempre, que velhos iríamos estar juntos a rir, sempre como amigos. O meu pensamento nunca voou tão longe assim, afinal de contas para “velhos” ainda é muito tempo, mas imaginava a nossa amizade a perdurar mais uns aninhos. Durante todo o tempo em que foste o meu melhor amigo, eu procurei adormecer o amor que sentia por ti. De certa forma foi uma tentativa falhada, ou talvez não. Quando eu estava contigo, ainda que fosse pelo que era, tu eras um amigo, eu não podia deixar que amores se intrometessem no nosso caminho, isso sempre acaba por estragar tudo. Por isso, deixei de lado essa minha vertente amorosa, sempre procurei manter acesa apenas a chama da amizade, sempre procurei cultivar a amizade, só e só a amizade, e tu sabes bem disso. Mas nem tudo tem um final feliz. Eu não sei quem errou, eu não sei sequer se alguém errou, o que é certo é que não houve um final feliz, nem sequer um final infeliz. Simplesmente, de certa forma, não aconteceu um final. As coisas estagnaram. De um momento para outro, não houve mais nenhuma palavra, mais nenhum sorriso, mais nenhum toque, mais nenhum encontro, mais nenhuma conversa, mais nenhuma amizade. Nem sequer posso dizer que estejamos zangados, isso irrita-me, mas nós nunca nos zangamos por acontecimento algum. Apenas deixamos de falar, queira isso dizer o que quer que seja. Até hoje, permaneço sem compreender. Não há nada em que eu gaste mais tempo a pensar, a minha cabeça permanece absorta a engendrar que raio aconteceu, que raio se passa connosco, a tentar perceber o porquê de termos deixado de ser amigos. Caramba, eu sempre disse “não, ele não há-de ser um bom tipo pa namorar, eu gosto dele, mas não o quero para namorado. Mas amigo, amigo sim, ele é das melhores pessoas que já conheci, eu quero-o como meu melhor amigo, apenas”. Repeti tantas e tantas vezes esta ladainha, eu sabia que era isto o que a minha cabeça e o meu coração ditavam, eu nunca tive quaisquer duvidas, por isso não duvides tu disto. Sabes, não pedi quase nada mesmo, em comparação a tudo o que me poderias dar. Tu, a pouco e pouco, foste-me pedindo muito, sim, pediste. E recordo-me plenamente de me dizeres “agarra-me para sempre porque não te quero perder”. Para mim o “para sempre” seria impossível talvez, mas fiz questão de te agarrar, fiz questão de que não me perdesses. Mas afinal eu não valia assim tanto para ti, não significava tanto assim. Não tiveste problemas em me perder. Arranjaste rapidamente forma de me substituir, mas eu nunca fui capaz de te substituir, mas afinal de contas os significados são diferentes. Mas para mim os amigos não se substituem, se eles saem da minha vida é por iniciativa própria. Tu saíste por tua própria iniciativa, magoaste-me demasiado. Nunca serás capaz de imaginar o quanto, deixaste uma dor tão dilacerante, é demasiado irreal. Na minha cabeça, nunca seria concebível eu vir a sofrer tanto por um homem, mas o que se passa é isso mesmo, eu sofro por um homem. Às vezes quanto mais fortes somos, mais fracos nos apresentamos quando necessitamos de ter toda a força. Se calhar, gastámo-la em situações em que não seria tão necessária, procuramos mostrá-la em todas as situações e o que acontece é que a nossa força é uma energia esgotável. E a minha força para lidar com tudo o que se cinge a ti esgotou-se, eu já não sei ser forte como era usual ser. Tiraste-me as forças ou fui eu que tive que as empreender no total enquanto estive contigo, para não me deixar ir abaixo? Ver-te agora com essa tipa é estranho, eu vejo-te a fazeres com ela o que fizeste comigo, eu vejo-a no meu lugar, eu vejo-a a tomar para ela o que é (ou foi) meu. Engraçado porque enquanto eras meu amigo para mim tornava-se quase aceitável teres outras, eu sabia que não eras meu, mas sabia que eras meu amigo e isso bastava-me. Podias estar com trinta que isso não iria mudar nada (ou quase nada), claro que me fazia confusão, mas lá está, eu tinha a tua amizade (ou assim achava) e isso bastava para me preencher. E afinal de contas eu fui compactuando com o facto de dares atenção a outras, até de te envolveres com outras. Tu eras apenas meu amigo e como tal eu não te exigia seres exclusividade minha. Claro que a forma como nos envolvemos ia para além da amizade, mas mesmo assim não me dava direitos sobre coisa nenhuma, e eu respeitava isso. Durante aqueles meses suspeitei de muita coisa, durante aqueles meses tive quase a certeza que nuns dias estavas comigo, noutros estavas com uma das outras, mas nós só nos envolvíamos na busca de um relacionamento quase físico, eu sei que não eram laços de amor que ali existiam. Mas volto a dizer, eras o meu melhor amigo e isso bastava-me. Mas agora, agora eu já não tenho de suprimir o amor que tenho por ti, já que a amizade já não existe, logo já não tem que ser preservada. E o amor voltou em toda a sua força à superfície, e ao contrário do que eu esperava que acontecesse após o nosso afastamento, ele não se está a esvair, está sim a aumentar. Não sei se alguma vez te disse, mas sempre tive dificuldade em aplicar termos como um ‘amo-te’, ‘amor’, etc. Isto com os que te precederam. Mas contigo nunca tive qualquer receio de os dizer, eu sabia que era isso mesmo que eu sentia, eu sei que te amo, e sou capaz de o afirmar sem pesos na consciência, ao contrário do que fiz com outros antes de ti. Eu não brinco com os sentimentos, eu sempre precisei de aplicar alguma racionalidade nos meus laços afectivos, e contigo perdi alguma dessa racionalidade. Quando entraste na minha vida, de certa forma mudei. Ganhei alguns aspectos positivos, e outros negativos, claro. Com o tempo aprendi a viver com a forma como hoje sou, e em parte tu ajudaste. Trouxeste muito à minha vida, e quando te foste levaste grande parte dela. Sempre representaste um papel importante em tudo o que me envolve, sempre foi tudo feito a pensar em ti, em todos os momentos estavas dentro da minha cabeça, do meu coração, em mim. E agora estás a conseguir destruir-me, eu não consigo dormir, eu não consigo estar concentrada a trabalhar, eu não consigo estar com as minhas amigas sem ficar melancólica pelo que nos aconteceu, eu não consigo sequer escrever como antigamente. As palavras faltam-me, a inspiração foi-se, as frases mais que arquitectadas não surgem. Destruíste a pessoa quase fantástica que eu era, levaste a minha felicidade constante. Antigamente, eu só não ria quando estava a dormir, agora só rio em escassos momentos. Estou demasiado taciturna, duvido de tudo à minha volta, questiono todas as minhas outras amizades, deixei de ser a pessoa alegre que era. Sim, destruíste-me mais do que alguma vez eu pensei alguém vir a fazer, nunca pensei deixar-me levar assim. Não encontro pontos semelhantes entre o agora e o antes. Mudaste imenso, nunca pensei que fosses uma pessoa assim, eu confiava em ti, eu confiava naquilo que eras, naquilo que representavas, eu defendia-te perante tudo e todos. Agora não sei mais a pessoa que és, não encontro paralelismos entre o amigo que conheci e o desconhecido que agora estranho. E pior do que tudo, não me reconheço a mim própria. Só te queria de novo como meu melhor amigo, nada mais.
terça-feira, 12 de maio de 2009
Gelo
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Não imaginas a quantidade de pensamentos desconexos e adversos que se passaram na minha cabeça durante aqueles minutos semelhantes a eternidades. Duas faces do mesmo sentimento, se é que assim é correcto dizer. Queria estar ali e queria fugir de lá. Queria que estivesses lá connosco e queria que te fosses embora rapidamente. Queria sentar me ao teu lado e queria permanecer afastada. Queria falar contigo e queria desprezar a tua conversa. Queria olhar te nos olhos e queria fugir do teu olhar. Queria sentir a tua pele de novo e queria nem sequer sentir o teu perfume por perto. Queria poder dizer te tanta coisa e queria nem te dirigir sequer a palavra. Queria estar ali sozinha contigo e queria uma multidão à nossa volta. Queria que tudo fosse diferente do que foi. Mas acima de tudo, confirmei que estar na tua presença me faz agora imensa confusão.
Só as minhas duas parolas do coração puderam sentir o gelo que se instalou entre mim e ti. Satisfez dúvidas?

