Agarrei-te, mas afinal de nada valeu. Não quis confiar em pleno neste teu pedido, mas porquê não arriscar? Confiei, e sim, agarrei-te, quis-te comigo, comungamos dos mesmos ideais, fizemos história. Hoje não passa disso mesmo, história que em tempos se escreveu, e que agora permanece acesa em mim. Cada momento, cada detalhe, tudo bem gravado, sem qualquer risco por cima. Sentidos que se desvaneceram nos meandros do tempo, seguranças que se perderam, certezas que deixaram de o ser. Não foste um erro, mas estiveste perto de o ser. Não te quero encarar como tal, enquanto tudo durou, tudo foi bom, fui feliz nesse período de tempo. Agora não me fazes feliz e pelos vistos eu também não te faço feliz a ti. Pedi-te muito pouco, tu pediste-me muito mais. Acedi enquanto não tive nada a perder. Contudo, ao fim de algum tempo tudo deixou de fazer sentido para nós, deixamos de ver as coisas como víamos antes. Fazer demasiados planos para o futuro nunca dá certo. Agarramo-nos a expectativas, a certezas, a tempos futuros e deixa-se de viver o presente e tudo de bom que ele nos pode proporcionar. Talvez tenha sido esse o nosso mal, viver o presente à espera do futuro acontecer. O futuro não aconteceu tal como expectamos. Acabou-se. Acabaram-se lutas, acabaram-se sonhos, acabaram-se vivências, acabaram-se conversas, acabou-se, pura e simplesmente. Estou cada vez mais farta, e no entanto, tudo já constitui apenas história. Já se acabou o tempo de a escrever, mas ainda continuam a faltar peças nela, ainda continua a faltar este tempo que antes era o futuro e hoje é presente, em que ainda não houve um acabar solene. Só precisava de palavras da tua parte que confirmassem a história, tal como está. Da minha parte, cansei-me de escrevê-la, cansei-me de ti. Diz-me só que já nao tens medo de me perder, que não queres mais que te agarre para sempre. Só isso, e tudo termina, de vez.
Sim, ainda gosto muito de ti, mas isso não tem mais de ser sinónimo da minha auto-destruição.
segunda-feira, 6 de abril de 2009
quinta-feira, 2 de abril de 2009
Desalento
De nada valeu pintar a vida com quantas cores encontrava, se há quem me consiga pôr tudo repleto de nuvens grossas cinzentas. Tudo o que sonhei, a vida conseguiu matar. Com quantas mais palavras vão procurar trazer-me o desalento e o desamor, a desilusão e o desdém? Quando temos a certeza de que o nosso mundo está bem seguro e subitamente descobrimos que afinal ele apenas estava suspenso por finos e frágeis fios de afecto, e esse afecto se resguardou, tudo cai. Caem as nossas certezas, caem os nossos sonhos, caem as nossas afeições, caem as nossas pretensões, caem as nossas forças. E aí deparamo-nos com um cenário para o qual não estávamos preparados, não sabemos como reagir, não sabemos sequer como é que tudo sucedeu mesmo ao nosso lado e não nos demos conta. Hoje acordei para o que aconteceu, finalmente talvez. Não tinha qualquer noção de que para vocês as coisas estivessem fixas nesses trâmites, de que na vossa cabeça tudo estivesse a suceder desta forma perniciosa. Se para vocês as coisas mudaram, fiquem sabendo que até hoje eu não julgava tal coisa, eu não pensava que tal tivesse sucedido. Formaram-se demasiados quadros errados na vossa mente, não percebo porque deixaram isso acontecer. Julgava que me conheciam bem, que de facto eram das pessoas que melhor me conheciam, mas se calhar estava errada, mais uma vez. Eu não substituo ninguém, eu acrescento pessoas à minha vida. As que saem dela, é porque assim o preferiram. E é isso o que vocês estão a fazer, e não eu como me querem fazer acreditar. Nunca vos deixei para trás, acreditem no que quiserem, mas isso nunca fiz. Sempre quis preservar tudo tal como era, sempre procurei manter os laços que nos uniam. Se não percebem as coisas deste prisma, não tenho que vos faça. Estou de consciência perfeitamente limpa, sei que desta vez não fui eu que errei, posso-o ter feito muitas vezes, mas desta vez não. De vocês esperava a sinceridade de me dizer as coisas tal como são, presencialmente. Mas preferiram fugir, entrar por subterfúgios, não me dizer as coisas cara a cara. Hoje vocês conseguiram-me desiludir-me como nunca esperei. E isto nunca mais serei capaz de deixar para trás.
quarta-feira, 1 de abril de 2009
Recordações
E este é o tempo que passamos, ou que passou por nós, enquanto julgávamos o contrário. É todo um conjunto de boas recordações, agora guardadas no baú das memórias, que talvez um dia ficarão cobertas de pó e teias, já que nesses dias longínquos não passarão disso mesmo: recordações. Por enquanto, ainda se assemelham a oxigénio, ainda me correm nas veias e artérias, indo e voltando sistematicamente ao coração. Foram tempos em que só sabia sorrir, e sim, o sorriso era verdadeiro. Agora, estou a pouco e pouco a reaprender a sorrir, sem seres um dos motivos para tal. Mas ainda não o consegui fazer de todo; ainda perdura um pouco um sorriso amargo, porque tu ainda perduras nos sabores que se envolvem na minha boca. E sabes, ainda não posso dizer que te esqueci, porque na realidade ainda não te foste embora da minha alma nem um pedacinho. Posso sim dizer que estou a reaprender a viver sem te ter, a viver sem ti. É duro, será sempre duro, enquanto ainda existires dessa forma tremendamente especial para mim, mas tudo na vida se aprende, tudo se transforma e tudo o que é relativo a ti não será excepção. Mas ainda custa, custa muito mesmo constituíres mais uma ausência na minha vida e ver-te seres guardado no baú das memórias.
Sociedade
A sociedade respira inveja, todos correm ávidos para o sucesso. Enquanto uns rastejam, outros esmagam e passam por cima. Não importa quem se deixa para trás, importa sim quem estará na meta para aplaudir e elevar a vitória alcançada. Mas não estará ninguém, esses foram esmagados atrás. Caminham todos sozinhos, todos em direcções opostas e nunca se vão encontrar em caminhos perpendiculares. É a sociedade do “bom dia” ou até de palavra nenhuma. Antes mostrassem palavras afáveis e preocupação pelo bem-estar de outrem. Mas isso constitui somente uma utopia. Todos serão para sempre meros animais, como que caçando para comer.
I’m sick of all this people!
I’m sick of all this people!
Não percebes
Não percebes nem nunca perceberás uma infinidade de coisas. O quanto eu gosto de ti. O quanto me fazes sofrer. O quanto me fazes falta. A desilusão que me fazes sentir. As ilusões que me alimentas. A saudade que me dás. O quanto eu sempre te defendi. O pouco que sempre esperei de ti. O nada que sempre me ofereceste. As preocupações que nutro por ti. A complexidade do meu amor. A minha forma de sentir e gostar. A necessidade de te ver constantemente. Os sacrifícios que empreendi. As escolhas que realizei. A derradeira decisão que tomei. A felicidade que em tempos me fizeste sentir. A tristeza que actualmente me proporcionas. A ausência que constituis. O afecto que sempre te dei. A confiança que tinha em ti. A cegueira quando acreditava. Agora, estou farta que não tenhas percebido nem vás perceber.
