domingo, 2 de maio de 2010

Saudade

Faz hoje um ano que nos deixaste. E parece que foi ontem. Ainda custa aceitar que foi assim. Aliás, vai custar sempre. Foste cedo demais, por razões estúpidas demais. Quem dera que ainda estivesses, sorrindo, entre nós.

Saudade, muita saudade, Amélia, sempre.

Mãe

Podemos nem sempre ter uma relação cordial, podemos discordar pelos mais estúpidos motivos, podemos até nos chatearmos por breves horas. Nada disso muda o sentimento de orgulho que nutro por ti e o quanto eu sempre agradecerei tudo o que em todas as ocasiões fizeste por mim, a educação que me deste, os caminhos que indicaste e os obstáculos que me ajudaste a ultrapassar. Porque tu não és só mãe para o bom da vida, és mãe para tudo o resto também, e a forma como exerces o cargo maternal será sempre a melhor e a mais indicada.
E é bom perceber que cada vez mais temos uma melhor relação, consolidada um pouco graças ao afastamento que tivemos por eu sair de casa graças à universidade. As saudades ajudaram, sem dúvida.
Apesar de tudo, amo-te mãe e, sem ti, nada seria igual.

[Odeio que para mim seja preciso existir este dia para te relembrar que és importante.]

quinta-feira, 29 de abril de 2010

(En)canta-me outra vez

Gosto quando me cantas a "Chasing Cars" dos Snow Patrol.

"All that I am,
All that I ever was
Is here in your perfect eyes,
they're all I can see.
(...)
If I lay here,
If I just lay here,
Would you lay with me
and just forget the world?".

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Entrelaçamos as mãos

Estava uma noite bastante fria. Saímos do seio do grupo de amigos para nos encaminharmos para casa, depois de algumas minis consumidas e alguma dança naquele que era o nosso bar. Já a cidade adormecera há muitas horas atrás. Para minha surpresa, agarraste-me a mão e entrelaçaste os teus dedos nos meus. Corria um vento agreste como eu já não lembrava igual e eu estava a sentir frio, muito frio. Apercebeste-te disso e abraçaste-me fortemente, protegeste-me da aragem gélida que corria. Senti tanto calor humano oriundo de ti. Chegámos a casa, custou-me largar o abraço, mas sabia que iria ter muito mais. Dás-me muito mais, sempre que te tenho nos meus braços, numa retribuição afectiva que encobre todo o espaço de tempo que passo sem ti. São esses pedaços de noite que quero repetir contigo. Dar as mãos. Abraçar-te. Sentir-te junto a mim. Porque até o simples facto de darmos as mãos é especial e único. Já tenho saudades; quando volto a sentir a tua mão entrelaçada na minha?

Eu sei, estou a ficar sentimentalista. Mas a culpa é tua.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Vamos simplificar

Juro que gostava de compreender todas as nuances que cobrem esse teu espírito indomável. Às vezes é difícil aceitar os comportamentos imaturos que apresentas, mas talvez seja isso mesmo que, de certo modo, te define: essa imaturidade própria da tua tenra idade. A vida ainda não te ensinou lições suficientes nem te fez lutar por nada importante, ainda não precisaste calejar as tuas franzinas mãos com esforço para alcançar algo que desejasses fortemente. E como não estás habituado a lutar, não o fazes por aquilo que deverias fazer, agora. Também és teimoso, és demasiado teimoso e eu detesto essa mania de que sabes tudo, melhor e mais do que todos os que te rodeiam, e tenhas que levar as coisas da tua maneira, sem acatar opiniões de outrem. Detesto igualmente essa tua mania de tentares fazer com que pareça que eu sou bastante insignificante, ainda que deixes entrever que significo até demais. Eu reclamo de ti, de tudo o que fazes, de tudo o que dizes, mas no fundo gosto dessa tua maneira de ser: rebelde e despreocupada, caprichosa e agreste. Por vezes eu sou igual a ti, sabes? E talvez seja isso que me encanta em ti: esta nossa similitude desmedida, este medir de forças constante que se abate sobre nós e prolifera cada vez mais, numa necessidade constante de comprovar que não somos assim tão importantes um para o outro, quando na realidade acontece exactamente o oposto, quando passar algum tempo sem termos contacto é detestável para ambas as partes. Durante muito tempo, eu defini para mim própria que tão cedo não me queria prender emocionalmente a ninguém e acreditei que era capaz de fechar a minha vida aos sentimentos de índole amorosa. Mas começo a perceber que cada vez mais está a ser difícil fechar essa porta e que já não posso negar que estou mais ligada do que desejaria a ti. E sei que neste momento sucede a mesma complicação emocional na tua cabeça.
Agora desejo que simplifiquemos as coisas, rapidamente.